Nas últimas notícias que correm o mundo, a Deep Web se tornou um sistema muito citado e muitas vezes acusado de ser o motivo de tantos crimes anônimos. Mas será que a deep web é realmente o problema?

A deep web, como mostra sua tradução, é a parte obscura da internet “surface” que conhecemos e normalmente usamos; a estimativa de especialistas é de que lá se encontram 96% de todos os dados armazenados na internet geral. O mais comum é que essa porcentagem seja associada aos fóruns criminosos, pirataria e outros conteúdos ilegais, mas o que realmente existe nessa “ponta do iceberg” são os dados que restringem acessos em navegadores comuns, como dados científicos e bancários, enquanto a internet aberta faz parte de apenas 4% de todo o complexo. Mesmo com todo o risco existente dentro das camadas da deep web, a intenção ao nomeá-la em 2001 não foi maliciosa ou criminosa, uma vez que esse nível da internet já existia e era acessado apenas por serviços governamentais como a NASA, para o controle de dados que não poderiam vazar para a população.

Hoje, os bancos de dados armazenam informações científicas, dados pessoais e registros financeiros que possuem o acesso proibido. Navegadores simples como o Google Chrome e o Firefox abrem links que são autorizados e que não possuem restrição de privacidade, por exemplo, as contas do Facebook não podem ser acessadas diretamente por pesquisas por exigirem uma senha, e seus dados ficam limitados. Desta forma, os links e dados encontrados na deep web não são aceitos na superfície, e isso se torna atrativo para o acesso de hackers e criminosos para a fraude de cartões, roubo de identidade e venda de dinheiro falso.

Por que a Deep Web é tão temida?

Uma das diversas camadas da deep web é a dark web, que é o local em que se encontra todo o tipo de acesso e serviços que são, por lei, considerados crimes, como a pornografia infantil, compra e venda de armamentos, e até serviços de homicídio. É necessário o uso de um navegador intermediário para o acesso. Portanto, o rastreamento de visitas e usuários dos sites não existe, pois foram programados para dar total liberdade ao acesso. Em 2015, entretanto, o criador de um site de vendas de drogas foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos depois de ter sido descoberto por investigadores; a juíza o sentenciou como “líder de uma organização mundial de tráfico de drogas”.

Existem também fóruns anônimos dentro dessas camadas da internet, que permitem aos usuários comentarem o que quiserem sem o risco de serem descobertos por alguém; é de lá que surgem compras de drogas e armas e planejamentos de alguns crimes e atentados.

Há maneiras de identificar o acesso à deep web?

Qualquer pessoa pode ter acesso aos níveis existentes na internet. Existe um software bem conhecido chamado “Tor” (The Onion Router – faz alusão às muitas camadas da cebola antes de chegar ao seu interior), que é um intermediador entre o navegador de internet comum, com os inúmeros endereços que ficam abaixo da superfície. O download desse software é encontrado em sites comuns, e ele pode ser achado no menu inicial do computador, ou entre os aplicativos que foram ocultados.

Em todo caso, a deep web ainda não é totalmente monitorada por órgãos de segurança, mas o FBI aprimora cada vez mais suas formas de se infiltrar em computadores de usuários suspeitos para obter informações de acesso. Enquanto isso, são lançadas formas de se fazer economia com a deep web, como o GuiaBolso, que pede permissão aos clientes de bancos para ter acesso aos seus dados de conta bancária, usando técnicas inteligentes, mesmo sem o fornecimento direto dessas informações.